Como sabe a Refil se os combustíveis sobem amanhã?
Publicado a 2026-10-07
A Refil não adivinha: cruza o que já tem data oficial (como a taxa semanal do ISP), o que os preços estão a fazer hoje nos postos e um modelo estatístico treinado com 21 anos do Boletim Petrolífero da UE, que calcula a probabilidade de a gasolina e o gasóleo subirem na semana seguinte. Em Portugal só avisa quando essa probabilidade é alta e a mudança de imposto não a anula, e publica quantas vezes acertou.
O que já se sabe: impostos, notícias e crude
As subidas mais bruscas raramente são decididas pelo mercado: são impostos, apoios que terminam ou descontos que caducam, com data publicada. A Refil guarda-os num calendário e prepara o aviso com dias de antecedência, sempre de manhã, para dar tempo de abastecer.
Todos os dias, um classificador automático lê os títulos da imprensa económica portuguesa e fica só com o que cumpre duas condições: mexer no preço na bomba e trazer uma data concreta de entrada em vigor. Um comentário de mercado sem data não conta, e nada do que propõe é enviado sem revisão humana.
A terceira peça é o crude. O Brent demora uma a duas semanas a chegar ao posto: quando sobe ou desce 8 % ou mais em quatro a sete dias, essa rampa antecipa o que vem aí. Uma leitura isolada e anómala, que no dia seguinte se desfaz, é descartada.
O ISP muda todas as semanas, e a Refil lê-o
Portugal tem uma particularidade: o Governo ajusta a taxa do ISP todas as semanas, por portaria publicada à sexta-feira e aplicada na segunda. A Refil lê essa portaria automaticamente e calcula o efeito da mudança já com IVA.
Esse efeito soma-se, com o seu sinal, à subida que o modelo prevê. Se o resultado ficar abaixo de um cêntimo por litro, não há aviso. E uma descida do ISP não é apresentada como «vai descer»: o Governo costuma baixá-lo precisamente quando espera que o preço suba, e a gasolina pode subir na mesma.
Como a portaria sai à sexta e o modelo corre à terça e à quinta, o aviso pode já ter saído quando o novo ISP é conhecido. O que muda nesse caso é a app, que deixa de dizer que os preços sobem em breve.
O modelo semanal: 21 anos de dados e uma probabilidade
Para antecipar a sério é preciso outra pergunta: o preço vai subir pelo menos um cêntimo por litro até à próxima segunda-feira? O modelo responde com uma probabilidade, não com um sim ou não. Aprende como o preço antes de impostos acompanha o custo grossista da gasolina e do gasóleo, o Brent e o câmbio euro-dólar, a partir do Boletim Petrolífero semanal da Comissão Europeia desde 2005.
Junta duas abordagens: um modelo clássico de transmissão de custos, que além disso baixa a confiança quando anda a falhar há algumas semanas, e um modelo de aprendizagem automática treinado com todos os países ao mesmo tempo. Se os dados de custo não chegarem a tempo, nesse dia não publica nada, em vez de supor que nada mexeu.
Foi escolhido sem olhar para 2024, 2025 e 2026, reservados para um exame final feito uma única vez. Nesse exame, quando o modelo dava pelo menos 70 %, o preço subiu um cêntimo ou mais em 84 % dos 152 avisos, e o seu erro de calibração (uma medida em que menos é melhor) baixou de 0,183 para 0,158 face ao modelo anterior.
O que não promete, e como o verificamos
É uma probabilidade. Não diz quantos cêntimos exatos, e 70 % quer dizer que três em cada dez vezes a subida não vem. Em crise, a transmissão de custos parte-se: em 2022, os avisos «seguros» do primeiro modelo acertaram só 57 % das vezes.
Por isso, em Portugal, a notificação só sai com uma probabilidade de pelo menos 75 %, mais exigente do que noutros países precisamente por causa do ISP semanal, e com o custo grossista a subir, nunca mais do que uma a cada 72 horas. Se na prática acertar menos de 60 % com pelo menos dez avisos avaliados, cala-se sozinha.
E o marcador é público. A página «Os combustíveis sobem amanhã?» compara cada aviso, dias depois, com o que fez a média nacional; só conta como acerto um movimento de pelo menos um cêntimo por litro na direção anunciada, e nenhuma camada mostra percentagem antes de ter 30 avisos avaliados.
Perguntas frequentes
A Refil consegue dizer quanto vai subir a gasolina?
Não. A Refil calcula a probabilidade de o preço subir pelo menos um cêntimo por litro na semana seguinte. Quando a mudança tem data oficial, como a portaria do ISP, pode ser mais concreta; quando é o mercado, fala em probabilidades.
Porque é que em Portugal o limiar é mais alto?
Porque o ISP muda todas as semanas e torna a previsão menos fiável. Em Portugal o aviso exige pelo menos 75 % de probabilidade, contra 60 % em Espanha, França ou Itália.
Se o ISP baixa, os combustíveis descem?
Não necessariamente. O Governo costuma baixar o ISP quando espera uma subida do preço, por isso a Refil soma a mudança de imposto à subida prevista em vez de anunciar uma descida.
É preciso pagar para ver a previsão?
Não. A página «Os combustíveis sobem amanhã?» e o marcador de acertos são abertos, e na app qualquer pessoa vê de graça o que aconteceu depois de cada aviso. O que o Refil Pro acrescenta é o aviso antecipado.
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